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| Ilustração Cid D'Ávila |
Muitas vezes, depois do almoço, uma grande parte do pessoal ficava à mesa ou debaixo das árvores, bebendo alguma coisa, conversando ou simplesmente deixando o tempo passar. Era nesse momento que começava um movimento sutil pelas laterais. Alguns iam se armando com baldes, panelas e bacias. Até hoje, não sei direito se tinha mesmo alguém que começava o furdunço, mas a lenda popular atribuía a grande manobra estratégica (se é que tinha isso mesmo) à Tia Glaura.
Quando a gente percebia, já era tarde. Vinham os tiros de água por todas as frentes. E algumas costas também. E dê-lhe baldes, panelas e bacias cheias em cima de qualquer um que estivesse no caminho. Ninguém escapava. Nem a Vó.
Talvez o fato mais emblemático das guerras de água tenha sido o episódio Miriam. Parece que era a primeira vez que a Miriam foi nos visitar no Sítio. Se não foi a primeira, foi uma das primeiras. Após a primeira lavada, ela resolveu ir tomar um banho e trocar de roupa. Assim que saiu da casa, toda arrumada, sequinha e trocada, lá veio a segunda leva. Encharcada pela segunda vez, ela ainda levou na esportiva. Mas não se entregou. Esperou um tempinho e resolveu que podia tomar outro banho e vestir nova roupa seca. Achou que o tiroteio não iria acontecer uma terceira vez. Se enganou.
Era assim. Ninguém escapava. Nem o Vô. Nem o Dr. Telmo. Nem os convidados.

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